As novas dimensões da Responsabilidade Social Empresarial PDF Imprimir E-mail
Por Alessandro Bender   
Parece que o Brasil finalmente despertou para o tema Responsabilidade Social. Nos últimos anos, empresas nacionais se tornaram mais sensíveis ao tema. Como diria um amigo meu, não interessa se a empresa está se tornando socialmente mais responsável por pressão ou por finalmente perceber que o mundo não muda se nós não mudamos. O que interessa é ser socialmente responsável e pronto.

Nenhuma mudança comportamental individual ou coletiva começa do zero.

Não apagamos nossos hábitos e atitudes e passamos a agir de maneira totalmente diferente de uma hora para a outra. Usamos nossas bases culturais para implementar os próximos passos. Aderimos um novo comportamento a antigos comportamentos, criamos pequenas adaptações e damos continuidade ao que já estávamos fazendo. É como reformar uma casa: se vamos construir um novo andar, tentamos ao máximo aproveitar os alicerces originais e só fazemos mudanças estruturais se o risco de cair tudo for grande demais. É um comportamento comum em nossa sociedade.
Precisamos estar atentos a esta característica comportamental sempre que resolvermos admitir novas posturas dentro das empresas. Algumas mudanças são de base, mexem com a fundação da casa, e a responsabilidade social é uma delas.

O que tem acontecido nos últimos tempos é que vemos algumas dimensões sociais serem fortalecidas e outras não, justamente em decorrência de características sociais de nosso país.

Vivemos numa sociedade com forte tendência ao assistencialismo. Para a maioria das pessoas, o assistencialismo se confunde com a Responsabilidade Social. No universo empresarial vemos um sem-número de organizações investindo na ação social distribuindo cestas básicas ou escolhendo uma determinada causa e colaborando financeiramente com ela. E não há nada de errado com isto. O problema é quando apenas esta vertente assistencialista acontece.

Para que haja Responsabilidade Social é necessário um fluxo bilateral saudável entre três dimensões: A Empresa, a Sociedade e o Indivíduo. O que tem acontecido é que a conexão Empresa—Sociedade tem se fortalecido, e numa via de mão única, assistencialista. Vemos pouco movimento nas outras conexões. O Indivíduo, no caso o profissional, parece não estar contemplado nas ações sociais da empresa - Sempre me pergunto por que quando falamos em “Ajudar ao Próximo”, ele nunca é o realmente próximo, mas sim aquele que está distante. Como se fosse mais fácil orientar nossas ações a alguém que está a milhares de quilômetros de distância ao invés de colaborar com seu vizinho de mesa.

Curiosamente o próprio Indivíduo também é pouco responsável em relação a si próprio ou a empresa. Cuida pouco de sua saúde, carreira e família e muitas vezes têm atitudes profissionais irresponsáveis, pouco se importando com o que elas irão acarretar em médio prazo para a organização em que trabalha. O imediatismo predomina.

A sociedade e seus (nossos) representantes também assumem atitudes que não podem ser consideradas socialmente responsáveis em relação às empresas, ao aumentarem insistentemente os encargos tributários e oferecerem poucas oportunidades de crescimento para as organizações. Linhas de crédito escassas, baixo fomento das pequenas empresas acabam gerando sonegação, criando um ciclo vicioso, onde acabamos não sabendo mais quem é a vítima e quem é o algoz.

Existe muito a caminhar nesta área. E no planejamento estratégico da transformação da empresa numa entidade socialmente responsável é fundamental que vislumbremos estas três dimensões para não corrermos o risco de fortalecermos demais apenas uma das conexões entre elas. É preciso saber de antemão como iremos dar os próximos passos, e quais serão eles. Para pessoas desassistidas socialmente sempre será importante estendermos a mão e acolhermos. Mas o profissional que trabalha na empresa também deverá fazer parte de nossa atenção. Fortalecendo uma relação socialmente responsável com nossos próprios colaboradores e entendendo esta relação como a base da construção de uma comunidade orientada e alinhada para ações integradas, conseguiremos ter maior impacto e obter melhores resultados. E isto não significa que tenhamos de fazer com que os colaboradores fiquem mais atentos aos nossos objetivos, criando mecanismos de engajamento e comprometimento deles. O próximo passo para o fortalecimento da Responsabilidade Social Empresarial passa pelo descobrimento do Indivíduo (daquele que já faz parte do monte de CPFs que um CNPJ é) e construir uma ação comunitária socialmente responsável com ele. Tenho certeza que boa parte dos profissionais de uma empresa desenvolvem ações sociais que os gestores e diretores ainda não prestaram a devida atenção.

A empresa precisa potencializar as ações de seus indivíduos buscando uma solução coletiva. Problemas coletivos devem ser resolvidos coletivamente.

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